Sinais Pascais

Como é que se percebe que estamos à beira da Páscoa? Vários sinais contemporâneos bem evidentes: diminui o trânsito por causa das férias escolares; o cabrito vai-se tornando um bem escasso em talhos e supermercados; multiplicam-se os formatos de folares de Páscoa; dá-se o milagre dos ovos, que em vez de saírem das galinhas andam em escaparates das mais diversas formas e feitios, sempre de chocolate; e finalmente proliferam os coelhos, por vezes espécie rara de encontrar, e que nesta altura do ano são de toda a forma, cor e feitio e também de chocolate, um produto em alta nesta época.

Pergunto ao Chat GPT a razão de ser de tanta fartura e a resposta é célere: “Os ovos e coelhos de chocolate na Páscoa simbolizam a vida, a fertilidade e o renascimento, fundindo tradições pagãs de primavera com a celebração cristã da ressurreição de Jesus. O coelho representa a fertilidade, enquanto o ovo representa o início da vida e a nova vida da ressurreição, com o chocolate tornando-se popular no séc. XIX.”

Constato que, como acontece frequentemente, as tradições pagãs andam de braço dado com as católicas. E também observo como as festas religiosas estão, tão frequentemente ligadas à comida. Vejamos: no Natal sai o bacalhau e o peru, por vezes o leitão; na Páscoa é o cabrito, tudo acompanhado por sobremesas das respetivas épocas.

É um pouco paradoxal que quer o nascimento de Jesus, quer a sua morte, sejam momentos, na religião católica, tão intimamente associados a comida e a excessos gastronómicos. A seguir virão inevitavelmente dietas, o purgatório dos comilões.

Estratégias de comunicação// Manuel Falcão escreve sempre à sexta-feira, no SAPO


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