que inspira: onde o país também acontece

Talvez esteja na altura de abandonar definitivamente do discurso diário algumas expressões que carregam uma ideia implícita de distância, atraso ou menoridade de 2/3 dos municípios do nosso país, com uma evidente carga redutora e hierarquizante. Talvez seja tempo de deixar cair categorias geográficas com carga simbólica negativa, e passar a olhar para os territórios pelo que realmente são: espaços de proximidade, de inovação social e de políticas públicas com resultados concretos.

A recorrente utilização de palavras ou expressões como “interior” ou, pior ainda, “interior profundo” (como se fosse necessário referirmo-nos a uma pessoa pela cor da sua pele!) é uma classificação sem sentido e uma lógica que importa ultrapassar.

Longe da espuma dos dias e do tempo que se mede pela pressa do presente, há um país perto do exemplo. Há municípios que, longe da atenção mediática, vão construindo, com consistência e compromisso, respostas concretas para desafios estruturais: o envelhecimento demográfico, a desertificação humana, o isolamento social, a escassez de serviços, as dificuldades de mobilidade e a persistente desigualdade no acesso a oportunidades. E........

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