O pós-guerra morreu. E agora, Europa? |
Durante décadas, os europeus habituaram-se a viver num confortável parêntesis histórico. A paz interna, a prosperidade relativa e a proteção estratégica garantida pela NATO (leia-se, pelos Estados Unidos) permitiram aos burocratas da União Europeia concentrarem-se em aspetos como a integração económica, a harmonização de (muitas) regras e a consolidação de um espaço comum de circulação, algo que, em muitos casos, se traduziu numa melhoria do padrão de vida das populações.
Ora, esse parêntesis fechou-se. E o que se segue é um tabuleiro geoestratégico muito mais exigente. Convenhamos: a fragilidade da União Europeia é hoje evidente, pondo em causa a forma como nos organizamos politicamente. Somos um gigante regulatório e (por enquanto) económico e, ao mesmo tempo, um anão estratégico. Curiosamente, penso que tal não acontece por falta de recursos, talento ou capacidade industrial; falta-nos foco, estratégia e capacidade de decisão. Se quiserem, olho para a União como um condomínio de soberanias: coordena, mas raramente lidera; reage, mas dificilmente antecipa. Não raras vezes, em momentos absolutamente críticos, o reflexo nacional sobrepõe-se ao interesse europeu comum. Pecados mortais neste........