O discernimento no centro: como vota um católico perante a escolha imperfeita? |
A 18 de janeiro, milhares de católicos portugueses aproximar-se-ão das urnas. Muitos levam a dúvida; outros, o desencanto. Aos 39 anos, com três filhos e uma carreira no setor da Saúde desde 2009, preparo-me para votar pela quinta vez numas Presidenciais. Faço-o longe do Tik-Tok e das polémicas de corredor, focado no que realmente importa: a construção de um Portugal onde o Homem se realize totalmente e em Liberdade.
Estou muito longe do mediatismo e para mim a política deixou de ser um exercício de entusiasmo, para se tornar num exercício de discernimento constante. Tenho a minha origem numa típica família da classe média, onde os pais tudo fizeram para empurrar os filhos no tal “elevador social” — com o sacrifício e esforço de quem veio da província para a capital nos anos 70.
Sou parte daquela fatia de cidadãos que cumpre rigorosamente os seus deveres fiscais, mas que se vê obrigada a um esforço extra — uma espécie de taxa de sobrevivência — para aceder a seguros de saúde e escolas privadas, dada a erosão visível da escolha e da qualidade de serviço público que os nossos impostos deveriam garantir.
Nestas próximas eleições presidenciais, o meu olhar não encontra o candidato perfeito, mas procura, ainda, incansavelmente, aquele que melhor compreende as causas do nosso persistente atraso e a urgência de um novo humanismo — centrado no bem comum e, por isso, no longo prazo.
O Estado e a tensão com o indivíduo
Já o disse antes, mas recordo que o atraso português não resulta de falta de talento, mas de falhas persistentes de governação, visão estratégica e qualidade das instituições. Decisões de curto........