De um poço de petróleo à COP30 

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Desde que me lembro, o ar cheira a fumo. Às vezes, enquanto brincava, sentia o cheiro a plástico queimado. As minhas amigas e eu achávamos que era normal, que a selva cheirava assim. Com o tempo, percebi que não era natural: era poluição.

Desde muito pequena, vejo como a extração de petróleo afeta a natureza, prejudicando a beleza das plantas, dos animais e da água. Também vejo como as pessoas da minha comunidade e da minha família adoecem. O mais doloroso é sentir que ninguém se responsabilizou por tantos danos. 

Viver em frente a um poço de petróleo ativo muda a nossa vida.

Lembro-me de quando tinha 11 anos, numa excursão para mostrar os impactos da extração de petróleo que a União dos Afetados pela Texaco (UDAPT) chamava de “toxic tour”, parei debaixo de um queimador — que emite gases que aquecem a atmosfera, como o metano, que retém 84 vezes mais calor do que o CO₂. Olhei para o chão e senti um golpe no peito: milhares de insetos mortos e carbonizados. Pequenos corpos sem vida.

Foi aí que soube que tinha de fazer alguma coisa.

Com outras meninas e jovens, decidimos organizar-nos. Com o apoio da UDAPT e do........

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