Desistir ou deixar de insistir

Ao longo da vida profissional fomos ouvindo que insistir era virtude. Que a resiliência se media em resistência prolongada, em capacidade de aguentar mais uma reunião inútil, mais um processo desalinhado, mais uma tentativa de convencer quem já decidiu que não quer ser convencido. Insistir era sinal de carácter. De compromisso. De “vestir a camisola”, mesmo quando a camisola já cheirava a mofo e ninguém parecia interessado em lavá-la.

Mas há um momento, aquele que que não vem com manual nem notificação no Outlook, em que insistir deixa de ser coragem e passa a ser teimosia. Não aquela teimosia romântica, quase poética, de quem acredita contra todas as probabilidades, mas a outra, a teimosia cansada, que consome energia, tempo e lucidez. A que nos prende mais ao ego do que ao propósito.

Deixar de insistir não é abdicar de valores, nem........

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