A cegueira dos donos da Galp e a ingenuidade da ministra do Ambiente

O tom dos artigos era positivo e sublinhava as virtudes do negócio, enquanto os títulos destacavam a alegada vantagem da fusão das operações, mas ignoravam uma verdade cristalina: se este negócio entre a Galp e a Moeve se concretizar, os acionistas portugueses entregam de mão beijada o controlo da única refinaria de petróleos existente em Portugal aos acionistas espanhóis, ficando com 20 por cento da nova empresa conjunta.

Na verdade, nem sequer ficam com a clássica minoria de bloqueio de 33,5%, que lhes permitiria bloquear qualquer decisão estratégica futura como a reconfiguração ou revenda de ativos.

Na sequência das notícias, a CMVM exigiu à Galp que prestasse esclarecimentos diretos ao mercado sobre o acordo de entendimento entre as duas empresas ibéricas.

Um comunicado emitido pela Galp referiu que “a combinação de negócios prevista, que exclui o chamado ‘upstream’ (pesquisa e exploração de petróleo), permitirá consolidar ativos, capacidades e equipas complementares em Portugal e Espanha, com o objetivo de reforçar escala, eficiência operacional e capacidade de investimento, apoiando simultaneamente a transição energética e fortalecendo a resiliência, fiabilidade e competitividade do sistema energético ibérico”.

Citada no comunicado, a presidente da Galp Paula Amorim afirmou:

"Estar extremamente confiante por termos alcançado este acordo preliminar e iniciado uma discussão de enorme relevância estratégica europeia. A visão de crescimento da Galp sempre se pautou por parcerias com operadores altamente credíveis, que demonstraram consistentemente capacidade na........

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