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Borlas, esmolas e circo. É disto que o povo gosta?

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15.09.2026

Diz a sabedoria popular que "com papas e bolos se enganam os tolos". Uma borla, um anúncio feito com convicção e cobertura mediática, e distrai-se o povo tempo suficiente para não ter de mudar nada. Tudo está mal, mas ninguém quer resolver coisa alguma, porque a divergência partidária caiu ao patamar de luta clubística e assumir compromissos é vergar-se ao inimigo. Segurar eleitorado é a prioridade absoluta — Portugal pode esperar.  

Não importa quantas vezes se propagandeia "habitação digna" e "médico de família para todos", que nunca chegam; quantas vezes se apregoa "os ricos que paguem a crise", ignorando deliberadamente que 42% de toda a receita de IRC e IRS arrecadada pelo Estado já é paga por apenas 4 mil empresas e 1.600 pessoas; quantas vezes se anuncia os grandes projetos que vão mudar o rumo do país, como o do hidrogénio verde iria desenhar a partir de Portugal a independência energética da Europa. Tudo passa sem escrutínio nem memória das manchetes para o cesto dos papéis mais depressa do que sobem os preços dos combustíveis.

É mais fácil, mais barato e mais benéfico para a carreira anunciar um bónus inesperado ou fazer um pé de vento para abolir portagens (leia-se, substituir o princípio do utilizador-pagador pela divisão aritmética dos custos por quem usa diariamente aquela via como por quem nunca por lá passou) do que empenhar-se numa reforma que só terá efeitos depois de produzir dor — mesmo que a mudança estrutural seja capaz de desbloquear o país e multiplicar o rendimento várias vezes nos anos seguintes,........

© Sapo