Microplásticos: a fatura invisível da modernidade descartável |
É aqui que começa a verdadeira crise dos microplásticos. Não como uma guerra contra a indústria, nem como uma bandeira ideológica, mas como uma questão de gestão de risco. Quando uma embalagem descartável entra num rio, não desaparece; parte-se. Torna-se fragmento, depois partícula, depois pó invisível. Os microplásticos (partículas com menos de 5 milímetros) entram nos sistemas naturais pela água, pelos solos, pelas águas residuais, pelo desgaste dos pneus, pelas fibras têxteis e pela fragmentação de resíduos maiores. O que era lixo visível torna-se contaminação difusa.
Os números mostram a escala do problema. A OCDE estima que a produção global de plásticos tenha duplicado entre 2000 e 2019, passando de 234 milhões para 460 milhões de toneladas por ano. No mesmo período, os resíduos plásticos também mais do que duplicaram, chegando a 353 milhões de toneladas em 2019. Apenas cerca de 9% desse lixo foi efetivamente reciclado. O resto foi incinerado, depositado em aterro, mal gerido ou libertado no ambiente.
A ONU estima que todos os anos entre 19 e 23 milhões de toneladas de resíduos plásticos entrem em ecossistemas aquáticos como rios, lagos e mares. Isto não é apenas um problema ambiental. O preço de muitos produtos descartáveis nunca incluiu o custo total da recolha, da limpeza dos rios, da contaminação dos ecossistemas, da perda de biodiversidade, da vigilância sanitária e da incerteza médica que estamos........