Gronelândia: O despontar de mais uma dura realidade para a Europa |
A Gronelândia não é apenas um território remoto e gelado. É uma peça-chave da arquitetura estratégica do Ártico, vital para a defesa antimíssil norte-americana, para o controlo das novas rotas marítimas polares e para o acesso a minerais críticos essenciais à transição energética e às mais modernas tecnologias de defesa. À medida que o degelo acelera, o Ártico foi-se transformando num novo ponto focal da competição entre grandes potências.
Donald Tusk, primeiro-ministro da Polónia, juntou-se aos líderes do Reino Unido, da França, da Alemanha, da Itália e da Suécia, nas fortes críticas ao propósito de Donald Trump de anexar a Gronelândia. "Será o fim do mundo como o conhecemos. Uma catástrofe!" Diria mesmo que estamos a assistir a alterações estruturais profundas da geopolítica mundial, difíceis de conceber há bem pouco tempo atrás. O mundo regulado pela “força da lei” está a ser paulatinamente substituído por um mundo diferente, regulado pela “lei da força”. Manda quem pode, obedece quem deve, trata-se do regresso à anarquia imutável que regulou as relações internacionais, até ao final da II Guerra Mundial.
Macron também o sublinha ao referir: “Estamos num mundo onde poderes desestabilizadores despertaram… a diferença é que vemos certezas, que por vezes duraram décadas, a serem agora postas em causa”. A Europa e os europeus estão realmente a ver profundamente abaladas algumas das suas certezas e convicções. Num abrir e fechar de olhos, deparamo-nos com a existência de concorrentes improváveis, que nunca esperamos que se pudessem vir a materializar. Simultaneamente, constatamos que possuímos aliados que sempre avaliamos como previsíveis e firmes, à prova de bala, e que agora começam justamente a causar-nos sérias dúvidas e até mesmo graves problemas.
Foi justamente esta perceção de que o mundo está realmente a mudar, a tornar-se mais imprevisível, menos regulado e mais perigoso que levou Ursula von der Leyen, falando à porta fechada no Parlamento Europeu, a afirmar que o bloco precisava de maior força e iria desenvolver a sua primeira estratégia de segurança, materializada em documento formal já em 2026. Ao mesmo tempo asseverava que a UE se encontrava a trabalhar afincadamente no sentido de se tornar uma verdadeira "potência militar", mantendo-se a “potência económica” que hoje já é.
Visto de um outro prisma, de uma outra geografia de interesses, Moscovo espera que a Gronelândia se........