A Europa que hesitar hoje, será a Europa que sofrerá amanhã!

Muito embora possamos considerar o empréstimo de 90 mil milhões de euros da UE a Kiev um investimento inteligente, terá sido este um passo suficiente para podermos dormir descansados nos anos vindouros? Sinceramente não me parece.

Não nego que foi deveras importante que o Conselho Europeu tenha chegado a um acordo sobre a assistência financeira à Ucrânia, pois a guerra agressiva da Rússia está a exaurir os seus parcos recursos. O apoio europeu ao povo ucraniano é uma necessidade manifesta. Diria mesmo uma imprescindibilidade. Sim, porque ao fim e ao cabo, está em jogo a segurança da Europa e o seu futuro. A questão central que aqui se coloca é saber se isso é o suficiente para nos tranquilizar quanto às ambições hegemónicas do Kremlin e às respetivas tentativas de restaurar as suas velhas esferas de influência. Esferas essas que hoje, em alguns casos, são parte integrante do pilar europeu da NATO e pertencem à UE.

A dura verdade é que a ambição de Putin parece não se esgotar na Ucrânia. Ao ir mais além, obriga-nos a tomar outro tipo de medidas que garantam que a Europa se encontra verdadeiramente preparada para triunfar num conflito em larga escala com Moscovo. Conter o ímpeto expansionista russo na Ucrânia poderá não ser suficiente, por isso é tempo de ouvir, é tempo de agir. Ouçamos, ouçamos sim e com redobrada atenção. As agências de informações norte-americanas continuam a alertar que Vladimir Putin não desistiu de se apoderar de toda a Ucrânia, pretendendo ainda, recuperar partes significativas da Europa que outrora pertenceram ao império soviético. As referidas agências de informações são unânimes em refutar as recorrentes declarações provindas do Kremlin de que a Rússia não representa qualquer ameaça à Europa. Quando se trata de Putin, o melhor é precavermo-nos, pois ele faz da mentira e da dissimulação as suas ferramentas estratégicas de eleição.

Friedrich Merz teve a coragem de “chamar os bois pelos nomes”: “Putin já está em guerra contra a Europa”. "A Rússia ataca-nos todos os dias com drones, assassinatos, ações de sabotagem, espionagem, ciberataques e desinformação direcionada". Ainda que a aguda perceção........

© Sapo