A colossal charada de Mar-a-Lago |
Uma breve reflexão sobre o resultado prático da tão aguardada Cimeira de Mar-a-Lago creio valer a pena. Comecemos pelo relevante tópico das garantias de segurança. De destacar que finalmente, embora a muito custo, os EUA concordaram com a outorga de “fortes garantias de segurança” à Ucrânia por um período de 15 anos. A grande questão que aqui desde logo se coloca é saber, em concreto, em que se traduzem essas mesmas “fortes” garantias de segurança face a um novo hipotético ataque russo. Significa que os EUA estarão realmente dispostos a colocar “boots on the ground”, ou seja, disponíveis para enfrentar militarmente a Rússia de Putin? Francamente, ainda não me parece que tenhamos chegado a esse ponto. E porque razão os 15 anos? Qual a lógica subjacente ao estabelecimento de tal período de tempo? É sabido que Zelensky propôs a Trump estender esse mesmo período por 30 a 50 anos, justificando que a guerra já dura há praticamente 15 anos. Qual foi a resposta que obteve? Um evasivo “nim”. Mais uma vez o Presidente Trump, como é seu hábito, foi vago na resposta. Limitou-se a dizer: "vou pensar nisso".
Face à ausência de progressos palpáveis, nada melhor do que “empurrar com a barriga para a frente”. Adiciona-se mais burocracia ao assunto, isto é, agendam-se novas reuniões e engendram-se novos grupos de trabalho. Teremos primeiro uma reunião ao nível dos conselheiros de segurança nacional. Seguir-se-á uma reunião de líderes europeus e da "Coligação dos Dispostos". Depois um possível encontro de líderes da Europa com Donald Trump e só após todas estas démarches será agendada uma discussão com entidades russas. Tudo isto a ser encaixado no atual mês de janeiro. Lamento dizê-lo, mas se a posição russa não se alterar substantivamente, não me parece que tais reuniões produzam qualquer tipo de avanço real. “Arbeir für den Papierkorb”. Expressão alemã comum para classificar trabalho sem qualquer resultado prático. Diga-se, “chover no molhado”.
Outro aspeto gerador de fricção e cuja discussão se torna incontornável é o proposto fim da lei marcial que exige, desde logo, um cessar-fogo e o fornecimento de fortes garantias de segurança. Nestas, inclui-se a monitorização através da presença obrigatória de parceiros e aliados como garantes de que as armas se calam efetivamente. Obter tais garantias marcará, mesmo que temporariamente, o fim das hostilidades. Sobre a........