Teodoro: Objeto de Museu
O Professor Teodoro Ramalho sente-se um objeto de museu.
Teodoro acredita na ordem natural das coisas. Como crê na chuva honesta do verão ou na existência de números primos. Daí deixar a mente divagar... Já ninguém fuma charuto. Hoje há apenas aquele cantil metálico e eletrónico — o vape, higiénico, porém letal. Ninguém usa chapéu; quando muito, ostentam-se boinas made in China. Ninguém se apoia em bengalas. Em contrapartida, todos sacam dos telemóveis — búzios ululantes que encostam freneticamente aos ouvidos.
E ninguém passeia a pé pela belíssima Lisboa. Desliza-se! Entre ubers e tuk-tuks, a cidade tornou-se um corredor. Já não há matinés, “no escurinho do cinema”. Dominam as plataformas de streaming. Ninguém coloca um disco na........
