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Teodoro entre o Vapor e VAR

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14.04.2026

O Professor Teodoro Ramalho sempre teve um fraquinho (a soft spot, diriam os Ingleses) por ‘novidades’ — desde que já viessem com manual, certificação europeia e, com 50 anos de uso comprovado. Um conservador, o nosso Teodoro. Dos prudentes. Dos que preferem que o futuro chegue já testado.

Nessa manhã, descia a Vila Berta de ar bem medido, bengala de madeira rosewood e castão derby, a marcar o compasso — toc, toc — e o charuto discreto, mas convicto, a cumprir funções filosóficas. O chapéu, bem assente, era ajustado de quando em quando com a dignidade de quem ainda acredita na ordem das coisas.

— Senhor professor! — chamou uma voz. Era o Zé Gaspar. Pedinte por necessidade, leitor por teimosia, e orador por inclinação natural. Tinha o casaco gasto, mas o vocabulário em excelente estado de conservação. Lia jornais atrasados com a atenção de quem chega sempre primeiro às ideias. Constava que tinha sido assinante de várias conspirações políticas.

— Já ouviu? — disse ele, com um brilhozinho nos olhos — vão outra vez à Lua. E desta vez........

© Sapo