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Teodoro e o homem dos segredos

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01.09.2026

O Professor Teodoro Ramalho está convicto de que, desde sempre, o ofício dos espiões tem sido um negócio sujo. Os primeiros espiões foram ‘enminhocados’ por Josué para Jericó. Lá dentro encontraram um “lugar seguro” — como se diz na gíria da espionagem — em casa duma prostituta. Teodoro acha que isto diz quase tudo sobre a profissão.

Desde então, pouca coisa mudou. A matéria-prima continua a ser feita de segredos, traições, mulheres comprometedoras, homens pouco recomendáveis e uma quantidade considerável de álcool.

Não admira, pois, que Teodoro não se tenha surpreendido quando encontrou Graham Greene no Largo do Carmo.

O escritor estava parado diante do antigo Convento do Carmo, olhando para as ruínas com a expressão de quem já vira ruínas mais interessantes.

Teodoro aproximou-se, apoiado na sua bengala de rosewood, com castão derby.

Os olhos azul-claros, por detrás dos óculos, demoraram-se nele.

— Depende — disse Greene.

Teodoro sorriu. Reconhecera imediatamente a resposta.

Era uma resposta de espião.

— Freetown — disse Teodoro.

Desta vez Greene olhou-o com mais atenção. Naquela postura magra, algo desajeitada na sua elegância, as orelhas grandes e os olhos inquietos, havia ainda qualquer coisa do homem que passara pela África.

— Pouca gente se lembra de........

© Sapo