Teodoro e o homem dos segredos
O Professor Teodoro Ramalho está convicto de que, desde sempre, o ofício dos espiões tem sido um negócio sujo. Os primeiros espiões foram ‘enminhocados’ por Josué para Jericó. Lá dentro encontraram um “lugar seguro” — como se diz na gíria da espionagem — em casa duma prostituta. Teodoro acha que isto diz quase tudo sobre a profissão.
Desde então, pouca coisa mudou. A matéria-prima continua a ser feita de segredos, traições, mulheres comprometedoras, homens pouco recomendáveis e uma quantidade considerável de álcool.
Não admira, pois, que Teodoro não se tenha surpreendido quando encontrou Graham Greene no Largo do Carmo.
O escritor estava parado diante do antigo Convento do Carmo, olhando para as ruínas com a expressão de quem já vira ruínas mais interessantes.
Teodoro aproximou-se, apoiado na sua bengala de rosewood, com castão derby.
Os olhos azul-claros, por detrás dos óculos, demoraram-se nele.
— Depende — disse Greene.
Teodoro sorriu. Reconhecera imediatamente a resposta.
Era uma resposta de espião.
— Freetown — disse Teodoro.
Desta vez Greene olhou-o com mais atenção. Naquela postura magra, algo desajeitada na sua elegância, as orelhas grandes e os olhos inquietos, havia ainda qualquer coisa do homem que passara pela África.
— Pouca gente se lembra de........
