O Matuto e o Réveillon |
O Matuto não dá muita bola ao “réveillon”. As celebrações do Ano Novo, passam-lhe olimpicamente ao lado. No Brasil, país que tão generosamente acolheu o Matuto no seu seio, o “réveillon” é coisa séria. As cidades esvaziam-se e as praias entopem de gente. As ruas de São Paulo – com 16 faixas de rodagem em cada sentido – viram um deserto asfaltado. Cena de filme apocalíptico! Famílias alugam casas à beira da praia. Todos acalorados esfalfam-se em sofás, bebendo suco (sumo) gelado ou cerveja, passando cubos de gelo pela testa ou alimentando a renite no ar-condicionado. Há “réveillon” nos condomínios de luxo, nas favelas, na laje, na praia, no mar, nas piscinas, nas ruas. Há “réveillon” no Bahia com os trios eléctricos. Há “réveillon” em Copacabana com magotes de gente nos bares, e arrastões nas areias douradas pejadas de banhistas. Há “réveillon” no Recife, em Porto Galinhas, em Fortaleza, em Manaus, nos afluentes do Rio Amazonas. Essencial, mesmo, é o “réveillon” acontecer perto dum corpo líquido. Por esta altura do ano o “réveillon” ganha raias de paroxismo.
Enquanto o Brasil inteiro se prepara para mergulhar em líquidos — salgados, clorados ou alcoólicos — a Casa das Pontes continua firme em terra seca. A varanda está aberta, a piscina cintila, o calor é honesto e o chá do Matuto fumega com dignidade........