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Quando ninguém quer uma nova guerra, como é que ela começa?

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25.08.2026

Os oito ataques aéreos israelitas que atingiram, a 18 de Agosto, a base aérea de Abu al-Duhur, na Síria, não devem ser avaliados pelos danos que provocaram. Não houve vítimas mortais. A pista e os hangares podem ser reparados. O verdadeiro significado está noutro lugar. 

Os ataques demonstraram a rapidez com que a competição estratégica entre Israel e a Turquia na Síria pós-Assad pode passar da confrontação política para um risco militar directo. Israel afirma ter atuado porque a Síria se preparava para permitir a instalação de forças militares turcas na base, alterando potencialmente o statu quo de segurança. A Turquia nega ter presença militar no local e condenou o ataque como mais uma violação da soberania síria. Washington, entretanto, considerou o ataque uma “escalada desnecessária” e tem procurado estabelecer canais de desconflito mais robustos entre as partes.

É precisamente este tipo de incidente que deveria preocupar os decisores políticos, não porque Israel e a Turquia tenham decidido entrar em guerra, mas porque nenhum dos dois precisa de tomar essa decisão para acabar numa guerra.

O problema já não é apenas a Síria. Desde a queda de Bashar al-Assad, a Síria tornou-se algo mais do que um Estado fragilizado a tentar reconstruir-se. Está a transformar-se num espaço estratégico onde várias potências regionais procuram definir a ordem pós-guerra.

A Turquia quer uma Síria estável e amiga, na qual Ancara possa exercer influência política, militar e económica e, sobretudo, impedir o aparecimento de uma entidade curda capaz de constituir uma ameaça à segurança turca.

Israel quer impedir qualquer reconstrução militar síria que possa gerar uma nova ameaça na sua fronteira norte e quer também preservar a sua liberdade de acção contra forças e infraestruturas que considera hostis.

O novo governo sírio quer soberania e legitimidade internacional, enquanto tem de equilibrar os interesses de vizinhos poderosos cujas conceções de segurança são fundamentalmente incompatíveis. Isto cria uma geometria perigosa. 

O ataque a Abu al-Duhur não foi, portanto, simplesmente um ataque contra uma pista de aviação. Foi uma demonstração dos limites da atual ordem regional. A dissuasão pode criar a guerra que pretende evitar. A lógica estratégica de Israel é compreensível. Se a Turquia estabelecer bases aéreas ou outra infraestrutura militar dentro da Síria, a Força Aérea israelita poderá enfrentar um ambiente operacional completamente diferente. O poder aéreo turco nem sequer teria de atacar Israel para alterar os cálculos israelitas. A sua simples presença poderia limitar a capacidade de Israel realizar operações unilaterais. Israel tem, por isso, um incentivo para impedir que essa capacidade se torne operacional, mas existe um perigo inerente nesta estratégia. Cada ataque preventivo cria um incentivo para que o outro lado endureça posições, disperse forças ou esconda a sua infraestrutura militar. 

O resultado pode ser um ciclo vicioso: Israel ataca para impedir uma presença turca. A Turquia aumenta o seu apoio militar, tornando-se simultaneamente menos transparente. Israel interpreta essa opacidade como prova de uma ameaça maior. A Turquia interpreta os ataques israelitas como prova de que a diplomacia não consegue proteger os seus interesses. Ambos se preparam então para a próxima confrontação. O perigo é que a dissuasão se torne gradualmente indistinguível da preparação para a guerra. E é aqui que a Síria se liga à crise mais ampla do Médio Oriente.

A região está a desenvolver vários percursos de escalada em........

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