Protecção Civil: um sistema caro, pesado e ineficiente! |
Os efeitos recentes da tempestade Kristin voltaram a expor, de forma cruel e repetida, aquilo que Portugal insiste em ignorar há décadas: o sistema de Protecção Civil, tal como está organizado, é pesado, fragmentado e estruturalmente ineficiente. Não falhou por falta de boa vontade, nem por ausência de meios humanos. Falhou porque foi desenhado para gerir rotinas administrativas, não catástrofes complexas.
Falhou porque, no essencial, a Protecção Civil tornou-se uma estrutura pesada ao serviço da colocação de “boys”, adornados com estrelas nos ombros, especialistas em briefings bem ensaiados e numa linguagem simbólica cheia de enfeites. Um discurso que soa técnico, mas que se esvazia completamente quando é preciso agir. Quando o país precisa de uma resposta urgente, musculada e eficaz, o que recebe tem, na prática, o mesmo impacto que as declarações dos candidatos a Presidente da República na vida concreta das pessoas: muito ruído, zero efeito. Comando nacional, sub-regional, distrital, local… camadas sobre camadas da mesma areia a entrar numa engrenagem já disfuncional. Multiplicam-se os cargos, diluem-se as responsabilidades e desaparece o comando real. Ninguém manda, ninguém decide, ninguém responde.
O episódio de a ANEPC ter solicitado, no dia seguinte à tempestade, apenas o apoio de quatro militares é mais do que um erro operacional: é um sintoma. Um sinal claro de que não convém trazer demasiada eficiência para dentro da “quinta”, porque isso poderia expor o óbvio: que o modelo vigente vive da inércia e da autoprotecção corporativa. Enquanto a prioridade for preservar “quintinhas”, estatutos e equilíbrios internos, o sistema continuará a falhar sempre que é posto à prova. E as populações continuarão a pagar o preço dessa mediocridade organizada.
Tal como aconteceu nos grandes incêndios do verão do ano passado, a resposta voltou a ser lenta, descoordenada e excessivamente dependente da improvisação. Uma vez mais, assistimos ao mesmo guião: apelos desesperados das populações, comunicação errática, sobreposição de entidades, ausência de comando claro e, quando tudo já está a arder ou inundado, a descoberta súbita de que “faltam meios”. Não faltam meios. Falta sistema!
Portugal orgulha-se dos seus mais de 30 mil bombeiros activos, 18 mil dos quais........