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Entre 2020 e 2025, o setor da Defesa em Portugal passou de uma área vista sobretudo como despesa pública e manutenção de capacidades militares para um verdadeiro vetor industrial, tecnológico e exportador. A transformação foi acelerada pela pandemia, pela guerra na Ucrânia e pela mudança estratégica da NATO e da União Europeia (UE). Em 2020 o setor resumia-se a uma embrionária base tecnológica e industrial ligada à aeronáutica, eletrónica, software, naval e manutenção onde empresas como Critical Software, OGMA, Tekever ou Edisoft já tinham presença internacional, mas de forma geral era pouco valorizado no debate económico nacional. A chamada “Economia da Defesa” registou um volume de negócios agregado de cerca de 4,6 mil milhões de euros, as exportações representavam cerca de 2% a 2,5% das exportações nacionais e o investimento em I&D rondava 3,2% do volume de negócios, ainda assim acima da média portuguesa. Em termos macroeconómicos, Portugal gastava cerca de 1,4% a 1,5% do PIB em Defesa e o setor tinha reduzido peso político nas prioridades económicas nacionais.
Em 2025, o cenário já era substancialmente diferente. A guerra na Ucrânia alterou profundamente a perceção europeia sobre segurança, autonomia estratégica e capacidade industrial militar com Portugal a acompanhar essa mudança. O setor da Defesa passou a ser enquadrado como política industrial, tecnológica, de inovação e de exportação com a narrativa governamental a referir-se a ele como investimento.
Entre 2022 e 2025 houve aceleração muito significativa com as exportações de bens de uso militar a crescerem cerca de 77% em termos nominais, com o número de empresas ligadas à defesa a registar cerca de 444 entidades, com o emprego qualificado a aumentar fortemente e a indústria passou a representar cerca de 1,6% do PIB português, segundo dados apresentados pelo Ministério da Defesa. Isto significa algo importante: a Defesa começou a aproximar-se de setores industriais historicamente dominantes em Portugal.
Em 2025 já se verificava desenvolvimento de drones, inteligência artificial aplicada à Defesa, sistemas autónomos, satélites, comunicações táticas, ciberdefesa e até tecnologias dual-use (civil/militar). Empresas portuguesas passaram a integrar programas europeus de Defesa e projetos ligados ao Fundo Europeu de Defesa (EDF) com a área dos drones a tornar-se particularmente relevante e já representavam cerca de 21% das exportações militares portuguesas.
A Defesa que era vista sobretudo numa lógica orçamental com o aumento da pressão da NATO, com a UE a financiar a reindustrialização militar a autonomia estratégica europeia tornou-se prioridade. O discurso político mudou claramente e a Defesa passou a ser apresentada como uma oportunidade económica.
Os números do volume de negócios mostram claramente essa evolução muito significativa. Se em 2020, as empresas ligadas ao setor registaram cerca de 4,6 mil milhões de euros em vendas agregadas, os dados oficiais divulgados de 2024 mostram que já terá atingido cerca de 11 mil milhões de euros de volume de negócios anual, segundo a idD Portugal Defence, entrando em 2025 com expectativa de novo crescimento recorde com o PIB da Defesa a aproximar-se dos 2%. Ou seja, o setor praticamente duplicou a sua escala comercial agregada, acelerado pela guerra na Ucrânia, pelo aumento da procura NATO, pelos fundos europeus e pela expansão tecnológica em drones, IA, ciberdefesa e sistemas autónomos.
A Defesa tornou-se, hoje, num setor atrativo e não........