Os perigos de uma ideia simples |
O filósofo e sociólogo alemão, Jürgen Habermas, que tive o prazer de ouvir, ao vivo, em 2013, numa sua palestra na Universidade Erasmus de Roterdão, defende a criação da cidadania europeia e de um passaporte único europeu.
Com efeito, Habermas sustenta que uma das grandes deficiências da União Europeia (UE), a maior talvez, é esta não assentar sobre uma união política com uma cidadania transnacional, e, portanto, deste ponto de vista, dir-se-ia, não ter um fundamento ou uma justificação moral.
Pelo contrário, a UE, embora tenha nascido num impulso de paz — e pela paz — entre os europeus, sustenta-se sobre uma união exclusivamente económica e monetária, uma justificação meramente tecnocrática cuja génese se pode traçar na filosofia moral utilitarista, e que está igualmente na base do edifício teórico da ciência económica.
Formulada pelo filósofo inglês Jeremy Bentham no século XVIII, a ética utilitarista clássica, implícita, mesmo que inconscientemente, na (quase) totalidade do pensamento económico actual, pode resumir-se........