Mentalidade Nexialista: a competência invisível dos líderes que gerem na complexidade

Durante muito tempo, a gestão confundiu eficácia com controlo, liderança e especialização. Num mundo relativamente estável, essa equação fazia sentido.

Num mundo marcado por disrupção permanente, múltiplas crises simultâneas e elevada ambiguidade, tornou-se insuficiente — e, em muitos casos, perigosa.

A complexidade deixou de ser uma exceção e passou a ser a regra. Volatilidade geopolítica, aceleração tecnológica, pressão regulatória, transformação do trabalho e expectativas sociais crescentes tornaram insuficientes muitas das abordagens clássicas de gestão.

Hoje, decisões estratégicas raramente têm respostas claras ou unidimensionais. Os líderes não falham por falta de competência técnica ou de acesso à tecnologia. Falham porque continuam a pensar a realidade de forma fragmentada, enquanto o mundo funciona de forma profundamente interligada.

Nunca houve tanta informação, tantos dados, tantos especialistas e tantas ferramentas de apoio à decisão. Ainda assim, vemos:

O problema não é técnico. É cognitivo. A gestão continua a operar como se decisões estratégicas pudessem ser compreendidas a partir de uma única lógica dominante. Num mundo complexo, isso já não é verdade.

E neste contexto, brilhantemente abordado pelo meu sócio na Inova Marcelo Veras, começa a emergir uma competência crítica, ainda pouco formalizada, mas cada vez mais determinante: a Mentalidade Nexialista. Num contexto executivo, a Mentalidade Nexialista pode ser definida de forma simples:

É a capacidade de integrar múltiplas lentes........

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