Temos más prisões |
Há uma velha história, provavelmente apócrifa, na qual um governante, confrontado com a escolha entre investir no conforto de uma escola ou de uma prisão, escolhe a prisão. Questionado sobre ter preterido a escola, ele responde que para a escola tem a certeza de que não voltará. Em Portugal, nem este (perverso) incentivo a cuidar das prisões existe. Os ex-governantes — condenados ou em prisão preventiva — são enviados para duas das prisões com melhores condições do país: Évora e Carregueira. São uma exceção.
A regra é outra: sobrelotação, degradação, falta de higiene, insuficiência de cuidados de saúde, insegurança para reclusos e guardas, espaços sem condições mínimas de privacidade ou dignidade. Ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem chegaram casos de sobrelotação, comida com excrementos de rato, um doente oncológico ostomizado (com saco para fezes) obrigado a partilhar cela com até nove reclusos que o humilhavam devido ao cheiro trazido pela sua doença e falta de condições de higiene da cela, e até recusa de transporte para cirurgias........