Violência doméstica: A importância das palavras na responsabilização do agressor
A violência doméstica continua a aumentar e, bem assim, o número de mulheres assassinadas por questões de género. Ainda assim persistem expressões, comentários e atitudes antagónicas com o reconhecimento das vítimas enquanto tal, com a sua proteção e efetivo combate ao crime. São habituais os comentários sobre as relações de intimidade pautadas por violência doméstica, como por exemplo: “no fundo ele bate-lhe, mas é boa pessoa”, “ele gosta dela à maneira dele”, “ele é assim, mas é um bom pai”, “temos de ver que ele passou por muito na vida”, “eles acabam por se entender”, “a vítima não colaborou com o processo”, etc.; todo um conjunto de expressões que retratam a visão da violência doméstica como questão privada, e não como crime violento que é.
Com a utilização destas e de outras expressões semelhantes, a sociedade contribui para a legitimação do flagelo, além de perpetuar preconceitos de género subjacentes.
A violência doméstica continua a aumentar e, bem assim, o número de mulheres assassinadas por questões de género.
Estas expressões e comentários denotam uma profunda desvalorização do comportamento abusivo perpetrado, quase sempre por homens, em prol de pretensas justificações........© Sapo
