Perguntei à inteligência artificial como vê 2026. A resposta foi mais incómoda do que esperava |
Por curiosidade profissional, e talvez também por inquietação cívica, decidi fazer uma pergunta simples à inteligência artificial. Não lhe pedi previsões místicas nem exercícios de futurologia. Perguntei apenas isto: com base nos dados disponíveis, nos padrões históricos, económicos e geopolíticos, o que é que 2026 provavelmente nos reserva.
A resposta não veio em tom dramático. Veio em tom frio. Quase clínico. E talvez por isso tenha sido tão perturbadora.
A inteligência artificial não antecipa uma nova ordem mundial em 2026. Identifica, isso sim, a consolidação da ordem já existente, agora sem o verniz das grandes narrativas a que nos habituámos. Menos discursos sobre valores universais. Mais pragmatismo cru. Menos ilusão. Mais gestão.
Os Estados Unidos continuam a ocupar o centro do sistema internacional, mas esse domínio é cada vez mais simbólico. Apoia-se na moeda, na tecnologia e na influência cultural, mas deixou de assentar numa autoridade moral clara. A democracia formal persiste, embora a confiança interna esteja fragmentada. A polarização não surge como acidente conjuntural, mas como traço estrutural. As instituições funcionam. Os cidadãos duvidam de quem as opera.
........