Aumentar a pegada cultural: quando o IRS também constrói território |
Consignar 1% do IRS pode parecer um gesto administrativo, quase invisível. Na prática, trata-se de uma decisão com impacto real na vida cultural do país. Ao escolher uma entidade cultural, cada cidadão deixa de ser apenas alguém que financia o Estado de forma abstrata e passa a intervir, ainda que modestamente, no futuro do território onde vive. Essa possibilidade é mais do que simbólica: é uma forma concreta de participação cívica.
A cultura não se faz apenas nos ministérios, nos grandes equipamentos ou nas instituições centrais. Faz-se também nas associações locais, nas bandas filarmónicas, nos grupos de teatro amador, nas coletividades, nos centros de criação e nas estruturas que mantêm viva a identidade de uma comunidade. É por isso que a ideia de “quilómetro quadrado”, evocada por Paulo Pires do Vale, faz tanto sentido: cada território deve assumir-se como agente cultural do seu........