Shoghi Effendi tem a leitura mais lúcida do colapso contemporâneo

O nosso tempo já não admite ambiguidades confortáveis. O mundo perdeu o direito à ingenuidade política. Não existem mais periferias seguras nem conflitos distantes capazes de serem ignorados sem custo. Crises armadas, colapsos institucionais e radicalizações ideológicas deixaram de ser episódios regionais para se tornarem manifestações de um sistema global em fratura. A História apertou o cerco: tudo acontece perto, tudo cobra preço alto, tudo exige posicionamento.

Essa aceleração dos acontecimentos já havia sido identificada com notável clareza por Shoghi Effendi (1897-1957), ao observar que “os acontecimentos do mundo estão se desenrolando de forma perturbadora e com rapidez desconcertante; o turbilhão das paixões humanas tornou-se veloz e alarmantemente violento; as nações estão sendo gradualmente enredadas nas crises recorrentes e nas controvérsias ferozes que afligem a humanidade”. Trata-se menos de uma previsão pontual e mais de um diagnóstico estrutural do nosso tempo.

É justamente para compreender esse ponto de inflexão que suas reflexões ganham atualidade. Sua leitura do século XX não foi impressionista nem retórica. Partiu da observação precisa de sistemas políticos em desgaste, de impérios em mutação e de uma humanidade empurrada para a interdependência sem o correspondente amadurecimento moral. Ao olhar para os conflitos do seu tempo, não descreveu apenas eventos, mas identificou padrões que hoje se repetem em escala........

© Revista Fórum