Bergman e a condição humana diante da noite que cai

Embora Ingmar Bergman seja um dos meus cineastas favoritos — pioneiro absoluto na direção e no roteiro, além de um pensador rigoroso da condição humana — não consigo aceitar integralmente a verdade de um pensamento tão sombrio quanto o que ele formulou em um de seus textos mais conhecidos. Há ali uma lucidez incontornável, mas também uma generalização que me parece excessiva, profundamente marcada por sua trajetória pessoal, por uma infância rígida, por culpas religiosas duradouras e, sobretudo, por um século XX empenhado em revelar as faces mais destrutivas da humanidade. Não é uma recusa leviana: é um desconforto refletido, amadurecido, que nasce do respeito pela obra e não da negação de sua força.

Bergman escreve, sem adornos nem concessões, como quem retira camadas até atingir o osso do pensamento:

“O mundo é um antro de ladrões, e a noite está........

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