O mundo não começou em 1º de janeiro: entramos no ano Yorùbá de 10068

O calendário tradicional yorùbá (Kọ́jọ́dá) inicia o ano 10068, distinto do calendário gregoriano.

O novo ano coincide com o Festival Mundial de Ifá, celebrado em Ilé-Ifẹ̀, estado de Ọ̀ṣun, Nigéria, especialmente em Ọ̀kè Ìtàsé.

Sacerdotes de diferentes linhagens se reúnem para ouvir a divinação Ifá e receber orientações espirituais para o ciclo.

O Ifá, declarado Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO (2005, 2008), orienta, mas não determina mecanicamente o destino das pessoas.

Enquanto grande parte do mundo organiza sua vida pelo calendário gregoriano, de matriz cristã e ocidental, outras civilizações seguem contando o tempo a partir de referências próprias. Para os povos Yorùbá e para as tradições de Ifá e Òrìṣà espalhadas pelo mundo, o ano novo não começa necessariamente em 1º de janeiro. O tempo, para os Yorubá, não é apenas uma sucessão de números, feriados e compromissos burocráticos. O tempo é também memória, ancestralidade, ciclo ritual, escuta espiritual e reorganização do destino. É por isso que, neste novo ciclo, celebra-se em terras yorubá a entrada no ano novo de 10068.

Para muita gente, essa informação pode soar estranha. Afinal, fomos educados a acreditar que o calendário ocidental é o calendário universal. Mas ele não é. Ele é apenas um calendário que se tornou dominante por força da colonização, da expansão europeia, da cristianização das instituições e da organização moderna dos Estados. Há outros modos de contar o tempo. Há outros modos de marcar o início de um ano. Há outros modos de compreender o que significa “começar de novo”.

O calendário tradicional yorùbá, conhecido como Kọ́jọ́dá, não se estrutura apenas a partir da lógica administrativa do calendário civil ocidental. Ele se articula com ciclos religiosos, agrícolas, lunares, comunitários e ancestrais. O ano novo yorùbá se relaciona com o período do Festival Mundial de Ifá, celebrado em Ilé-Ifẹ̀, no Estado de Ọ̀ṣun, Nigéria, especialmente em Ọ̀kè Ìtàsé, lugar sagrado para a tradição da divindade yorubá do destino conhecido como Òrúnmìlà. Ali, sacerdotes de diferentes linhagens se reúnem para escutar Ifá, e receber a........

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