1- Iza Lourença e Cida Falabella, vereadoras em Belo Horizonte pelo PSol, receberam um e-mail com gravíssimas ameaças, incluindo o chamado “estupro corretivo”, em seus endereços institucionais da Câmara. Esse fato ocorreu no da 14.08, segunda-feira. Nesta sexta-feira, dia 18.08, em mais um e-mail, ameaças de morte foram feitas contra Isa e Cida. Bella Gonçalves, deputada estadual de Minas Gerais, foi também vítima de e-mail com as mesmas ameaças. Nas mensagens enviadas foram citadas, também, as deputadas federais Dandara Tonanzin (PT-MG) e Duda Salabert (PDT-MG). O autor, um monstro covarde protegido pelo anonimato, descreve em detalhes os rituais da violência misógina fascistoide.

2 - O autor das ameaças se utiliza de um nome fictício, que remete ao um modus operandi de grupos masculinistas ou incels, que se organizam em fóruns da internet e têm como fundamento o ódio às mulheres, sobretudo, às feministas, pessoas negras e pessoas LGBTQIA+. A tentativa de intimidar e silenciar é um atentado não apenas à dignidade e bem-estar das parlamentares eleitas, o que já seria gravíssimo, mas também às mais elementares liberdades democráticas, porque se nem aquelas que foram eleitas para o exercício de mandatos no regime democrático estão seguras, todas as ativistas dos movimentos feministas e LGBT’s estão ameaçadas.

3 - Estes ataques confirmam que continuam operando nos subterrâneos da internet perigosos grupos fascistas. Nesta mesma semana, uma liderança quilombola e ialorixá Bernadete Pacífico, de 72 anos, foi morta a tiros em Simões Filho (BA) na noite de quinta-feira (17/08), seis anos após o assassinato de um de seus filhos, Fábio Gabriel Pacífico dos Santos, o Binho do Quilombo, em 2017. Matriarca do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, a líder era conhecida como Mãe Bernadete e passou a vida lutando pelos direitos dos quilombolas. Desde 2017, ela lutava por Justiça pelo assassinato de Binho, que até hoje continua impune. Há anos Bernadete vinha também denunciando as ameaças que recebe e a perseguição aos quilombolas. Os ataques às lideranças feministas e LGBT’s são indivisíveis dos ataques ás lideranças dos movimentos negros e quilombolas.

4- Nos últimos anos, o número de ataques direcionados à parlamentares mulheres cresceu exponencialmente. De acordo com a ONU Mulheres, 45% das parlamentares eleitas em todo o Brasil já sofreram ameaças. Estamos, também, no país em que Marielle Franco, militante do PSol que ocupava o cargo de vereadora no Rio de Janeiro, foi vítima de um feminicídio político, ainda em investigação. Não se sabe ainda quem mandou matar Marielle.

5- A Guarda Municipal fará a escolta das parlamentares ameaçadas. Mas é necessário lembrar que essa proteção é insuficiente. Mãe Bernardete tinha proteção policial que foi inútil. O perigo é real e imediato e deve ser levado a sério. Não serão divulgadas a autoria do e-mail, e nem a mensagem enviada, uma vez que obter visibilidade doentia é um dos objetivos dos fanáticos extremistas que praticam esse tipo de crime. O remetente, desconhecido, afirmou que "estupro cura lésbicas" e que poderia ir à casa delas para cometer a violência. A investigação e condenação dos criminosos é imperativo, porque fazem isso com a certeza de impunidade. Não podemos deixar que grupos que fazem apologia ao estupro continuem intocáveis no Brasil. Só a solidariedade e a mobilização popular poderão deter a violência fascista.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum

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Parlamentares de esquerda de Minas recebem ameaças de morte e estupro corretivo

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22.08.2023

1- Iza Lourença e Cida Falabella, vereadoras em Belo Horizonte pelo PSol, receberam um e-mail com gravíssimas ameaças, incluindo o chamado “estupro corretivo”, em seus endereços institucionais da Câmara. Esse fato ocorreu no da 14.08, segunda-feira. Nesta sexta-feira, dia 18.08, em mais um e-mail, ameaças de morte foram feitas contra Isa e Cida. Bella Gonçalves, deputada estadual de Minas Gerais, foi também vítima de e-mail com as mesmas ameaças. Nas mensagens enviadas foram citadas, também, as deputadas federais Dandara Tonanzin (PT-MG) e Duda Salabert (PDT-MG). O autor, um monstro covarde protegido pelo anonimato, descreve em detalhes os rituais da violência misógina fascistoide.

2 - O autor das ameaças se utiliza de um nome fictício, que remete ao um modus operandi de grupos masculinistas ou incels, que se organizam em fóruns da internet e têm como fundamento o ódio........

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