Guerra contra a Venezuela |
A cem avisa, quem um castiga. A bom entendedor, meia palavra basta. Provérbios populares portugueses.
1. A partir deste janeiro de 2026 haverá um antes e um depois. Estamos diante de um giro na situação mundial. Trump nem sequer pediu ao Congresso norte-americano autorização para a intervenção militar na Venezuela. A operação de bombardeios e sequestro do presidente Maduro e da primeira-dama e deputada Cília Flores é, rigorosamente, ilegal, se considerada a Constituição dos EUA. Trata-se de uma agressão unilateral, com pretextos insustentáveis como a acusação de um suposto Cartel de los Soles, para justificar o terrorismo de Estado da maior potência mundial. O sequestro e criminalização de Maduro como traficante de drogas é uma manobra infame para dissimular uma guerra que começou com o cerco militar das águas territoriais do país, o afundamento de dezenas de barcos com mais de cem mortos, a captura de três petroleiros, e culminou com a operação de comandos durante o bombardeio de Caracas. Não foi, formalmente, declarada uma guerra, uma hipocrisia atroz. Mas o plano admitido, publicamente, é o domínio do país, portanto, é uma guerra.
2. O objetivo declarado da ofensiva é a redução da Venezuela à condição de um protetorado. Os EUA não reconhecem a soberania do país e querem usar o seu poder para decidir quem deve governar. Foi uma ação imperialista sem precedentes na América Latina, desde 1989, quando da invasão do Panamá e prisão de Noriega na presidência de Bush. A “extração” militar de Maduro, o eufemismo para o rapto do presidente de um país independente, foi somente um primeiro ataque. O perigo de novas intervenções é real e iminente. A estratégia projeta novos bombardeios para forçar a derrubada do governo pela força, se não ocorrer uma rendição de Delcy Rodrigues. Trump já declarou disposição até de uma possível ocupação do país, imposição de um governo fantoche, o que obedece ao plano de recolonização pela apropriação das reservas de petróleo por companhias norte-americanas, entre outras razões, para excluir o acesso da China. A superioridade militar de Washington confirmada em Caracas foi uma brutal demonstração de força diante de Moscou e, sobretudo Pequim: dos bombardeios no Irã, passando pelo armamento entregue desde a Ucrânia a Zelensky até Israel de Netanyahu, o imperialismo yankee quis provar que é a única potência com capacidade de exercício de poder em escala mundial.
3. A Venezuela foi o primeiro país a ser atacado por três razões, igualmente, graves: (a) porque tem variadas e imensas riquezas naturais que têm importância crucial, não menos importante o petróleo mais acessível diante da demanda imensurável colocada pelas novas infraestruturas de inteligência artificial; (b) porque foi a nação que foi mais longe, na América do Sul, na afirmação de um Estado independente, desde a revolução cubana, em posição geopolítica sensível; (c) porque era o elo mais fraco da América Latina, em função da fratura social e política interna e do isolamento internacional, dependente das relações com China, Rússia e Irã. A narrativa de Washington é absurda. Não é verdade que a Venezuela seja um narco-Estado. As rotas de abastecimento do mercado de consumo de drogas não saem da Venezuela, usam o oceano Pacífico. Não é........