Somos programadas para a confusão

Paolo Zampolli, empresário italiano aliado de Donald Trump, declarou que brasileiras são “uma raça maldita”, “prostitutas” e “programadas para a confusão”.

A fala, feita publicamente, foi analisada como discurso político que desumaniza mulheres para legitimar violência.

O comentário revela que estruturas de poder colapsam quando mulheres deixam de obedecer às imposições.

O texto alerta que a retórica busca reduzir e justificar a submissão das brasileiras ao sistema patriarcal.

“Brasileiras são uma raça maldita”, “são prostitutas” e “são programadas para a confusão”. A frase, dita por Paolo Zampolli, empresário italiano e aliado de Donald Trump, não pode ser tratada como um mero ataque misógino ou xenofóbico isolado, porque ela revela, com uma franqueza brutal, o funcionamento de uma estrutura de poder que entra em colapso sempre que mulheres deixam de obedecer.

Não se trata de um deslize retórico, tampouco de uma provocação vazia. Trata-se de linguagem política, e linguagem política nunca é inocente. Quando um homem inserido em disputas de poder escolhe descrever mulheres brasileiras como corpos disponíveis, perigosos e caóticos, ele não está apenas ofendendo, mas tentando enquadrar, reduzir e justificar. A desumanização, historicamente, não é um excesso; é um método que antecede e legitima a violência.

Há, no entanto, uma ironia incômoda nessa fala: na brutalidade da frase, existe uma involuntária precisão. Somos, sim, programadas para a confusão, mas não a confusão que ele pretende sugerir. Somos programadas para desorganizar o sistema que sempre nos quis silenciosas, submissas e previsíveis. Somos programadas para romper com estruturas que........

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