Autoritarismo, religião e a disciplina dos corpos femininos
Quando a religião se converte em regime político, a autonomia das mulheres costuma ser o primeiro direito a ser suprimido. Isso não é acidental. É estrutural.
Ao longo da história, mulheres sempre ocuparam o ponto mais sensível de qualquer sistema de poder. Controlá-las significa controlar o corpo, a reprodução, a organização familiar e, sobretudo, a formação ética e política das gerações futuras. Por essa razão, regimes autoritários, especialmente os de natureza religiosa, tratam a mulher não como sujeito de direitos, mas como ameaça permanente à ordem estabelecida.
No Irã, essa lógica se materializa de forma explícita. O Estado teocrático transforma normas religiosas em dispositivos legais e faz do corpo feminino um espaço contínuo de vigilância, punição e exemplificação. A mulher, nesse sistema, é percebida como risco. Risco de questionar, de desobedecer, de existir fora dos limites impostos pelo poder.
O véu obrigatório, as regras sobre vestimenta, o silenciamento social e a submissão jurídica não dizem respeito à fé. Dizem respeito à disciplina. Dizem........
