Lula não precisa de devoção; precisa do voto |
Pesquisas retratam o momento, não o futuro. Todos sabemos disso. A experiência brasileira mostra candidaturas que pareciam imbatíveis e perderam força, e vantagens que desapareceram na polarização. A eleição de 2026 não está ganha nem perdida. Lula segue competitivo, mantém base popular sólida e é o único líder progressista com presença nacional para enfrentar a extrema-direita.
Mas há uma assimetria entre os campos. Lula já concentra a maior parte do eleitorado de esquerda. Não há outra candidatura competitiva nesse espaço. A direita, porém, tem votos distribuídos entre vários nomes, que podem convergir para Flávio Bolsonaro. Seu desempenho no primeiro turno não revela seu limite.
Essa transferência não é automática. Eleitores de outras candidaturas de direita podem se abster, votar em branco ou até escolher Lula. O ponto é que o filho 01 do capitão golpista dispõe de uma reserva política formada pela fragmentação de seu campo, enquanto Lula precisa avançar além das fronteiras do lulismo. Não vencerá falando apenas para quem já o admira. Precisará conversar com quem aceita considerá-lo, mas ainda não encontrou razão suficiente para escolhê-lo.
Onde estão os votos que faltam?
Não entre bolsonaristas radicalizados, cuja identidade se construiu pela hostilidade ao PT e à esquerda. Também não apenas entre os que já o defendem incondicionalmente. Os votos decisivos estão entre brasileiros que reconhecem a importância histórica de Lula, mas discordam de decisões do governo; entre os que o escolheram em 2022, mas não sentiram no cotidiano as melhorias anunciadas; entre democratas que rejeitam o bolsonarismo, mas não querem vestir a camisa do PT; e entre os que veem problemas nos dois campos, embora saibam que as........