Bares Brasil afora XIII – O alemão da Brasília azul

Porto Seguro (BA)

Toninho, meu conterrâneo e amigo, era (e deve ser ainda) uma espécie de Midas: onde punha a mão, enchia de grana. Tudo dava certo pra ele. Um dia largou tudo, transferiu as lojas de artefatos de couro para os empregados e foi pra Porto Seguro, onde comprou uma barraca na praia, segundo me contaram. Como? Estranhei! Largar tudo e ir “tocar” uma barraca de praia em Porto Seguro era coisa inimaginável pra quem estava acostumado a ganhar muita grana. Virou hippie?

Acontece que conheci Porto Seguro muito tempo antes. A primeira vez que fui pra lá, isso sim, era coisa de hippie: nem havia estrada asfaltada, só tinha uma estradinha de terra saindo da Rio-Bahia. Não havia turismo, nenhuma agência bancária e, para hospedar, só uma pensão. 

Pois é, quando voltei lá, no tempo do Toninho, já não era nada disso. Turismo total… E havia até um conjunto enorme de barracas vendendo bebidas na rua principal, com o nome de “Passarela do Álcool”. A bebida mais vendida ali era um coquetel chamado “capeta”, feito com vodca, pó de guaraná, leite condensado, canela e outros ingredientes considerados afrodisíacos, além de gelo, tudo batido no liquidificador. Um copo de plástico cheio… por R$ 1,50 (faz muuuuiiito tempo). 

A Célia e eu íamos pra essas barracas à noite, mas preferíamos beber vodca pura, só com gelo, e ela custava R$ 2,00 a dose. Estranho, né? Era a mesma vodca usada para fazer o tal capeta, e em quantidade menor, só uma dose mesmo, custando mais caro. Passamos a pedir capeta sem guaraná, sem canela, sem leite moça, sem mais nada além da vodca e gelo. E vinha um copo cheio por R$ 1,50.

Um dia fomos conhecer a “barraca do Toninho”. Soube que se chamava Barramares. Perguntei e me contaram que ficava no caminho para a Coroa Vermelha. Fomos lá. Barraca? Que barraca? Era uma coisa enorme, com dois restaurantes e três bares. Na época, estava na moda uma dança chamada “lambaeróbica”, mistura de lambada com ginástica aeróbica. O cantor mais famoso e popular de Porto Seguro era o animador da lambaeróbica na Barramares. Do palco com música alta, cantava e animava os pares que dançavam embaixo, na areia, prometendo um chope para o homem e um para a mulher do par vencedor, mais animado da lambaeróbica. E os casais se esforçavam pra ganhar. Depois de uns vinte minutos naquela dança frenética, anunciava o casal vencedor, que ganhava um chope pra ele e um pra ela, e o casal bebia mais um monte, pago. E os demais dezenas de casais também bebia vários chopes naquele calorzão, depois de suar muito. 

Mas o que eu achei mais interessante era que entre os bares e restaurante havia um córrego e, no meio dele, uma ilha com uns........

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