Bares Brasil afora (e adentro) XIV – Carne de bode etc. |
Curuçá (BA)
Localizada no norte da Bahia, na margem direita do rio São Francisco, Curuçá é uma cidade cujo município que se estende para o sul até o Raso da Catarina, região mais seca do Brasil. Estive lá pouco antes do ano 2000, fazendo umas filmagens para um documentário sobre educação, feito pelo amigo Fernando Passos. Não havia um roteiro pronto, só indicações dos locais a que iríamos. Por isso ele queria que eu participasse, pois seria preciso ir criando a pauta durante o processo de filmagem. O Fernando era diretor, câmera, editor etc. etc. A verba que tinha só permitia contratar uma pessoa, um técnico de som. E apesar de meio surdo fui contratado com essa função.
Bom, depois de passar por Poço de Fora, um povoado em que não chovia fazia três ou quatro anos (e onde comi pela primeira e única vez a famosa buchada de bode), fomos para Curuçá.
Entramos em contato com um grupo de professoras, nos reunimos numa manhã com elas, e foi uma reunião muito boa, até a hora do almoço. Elas nos convidaram para ir a um restaurante muito bom, o melhor de todos, e chegando lá foram logo pedindo carne de bode. Um detalhe: bode no Nordeste é o que para nós é cabrito. No Sudeste, bode é só o macho caprino velho. Não daria para comer sua carne dura. Carne de cabrito — o bode no Nordeste — é muito gostosa.
Mas, surpresa…. o dono veio pedir desculpa, pois a carne de bode tinha acabado no dia anterior e não foi reabastecido. As professoras se levantaram indignadas:
— Como pode um restaurante que não tem carne de bode? Feche isso aqui!
E fomos almoçar em outro lugar. O que me surpreendeu foi a veemência delas protestando contra a falta da carne de bode, seria como entrar numa churrascaria gaúcha e o dono informar que não tinha carne bovina.
Corumbá (MS)
Esta historinha eu publiquei até na revista Globo Rural, há décadas. Meu amigo que tinha o apelido de Nonô entrou para a Marinha, lá pelos anos 1970. Fez um curso em Salvador e depois transferiu-se para Ladário, ao lado de Corumbá, em Mato Grosso do Sul. Foi ser marinheiro de água doce no rio Paraguai.
Chegando em Corumbá, uma tarde de domingo, olhou para um lado, olhou para o outro, ninguém à vista. Só aquele calorão, uma sensação de estar sozinho no mundo. Entrou num bar com intenção de encher a cara. O bar, com ar condicionado, estava cheio de fazendeiros tomando uísque. O Nonô chegou perto, doido para fazer alguma........