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Uma mentira perigosa

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20.04.2026

Volodymyr Zelensky afirmou publicamente que a Ucrânia possui especialistas em contramedidas contra drones e ofereceu apoio aos EUA.

Analistas apontam que a Ucrânia, com cerca de 25 % do território ocupado e sem ofensivas recentes, não tem capacidade efetiva de defesa antidrone.

A Rússia utilizou drones Geran para atacar a rede elétrica ucraniana neste inverno, com sucesso comprovado por monitoramento e pedidos de ajuda de Kiev.

Organizações ocidentais, incluindo a OTAN, não consideraram a proposta de Zelensky viável diante da situação militar ucraniana.

Logo que ficou constatado que as forças estadunidenses não conseguiriam derrotar o Irã, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky foi a público oferecer aos Estados Unidos uma suposta experiência na luta antidrones. Apontou que as forças ucranianas possuíam especialistas em contramedidas na luta contra os drones russos e que seus militares poderiam ajudar a salvar os estadunidenses.

Tamanha tolice não foi levada a sério por nenhum dos envolvidos no conflito, já que a situação das forças ucranianas é temerária. Com quase 25% do território perdido e sem conseguir realizar nenhuma ofensiva, as forças ucranianas colecionam derrotas atrás de derrotas e já demonstraram que, mesmo com todo o apoio da OTAN, são incapazes de reverter a situação militar em que se encontram.

Ao contrário do que Zelensky alegou, a Ucrânia não consegue auxiliar países estrangeiros no estabelecimento de um sistema de defesa eficaz contra drones, de nenhum tipo, muito menos o Shahed iraniano. A Rússia usou com sucesso vagas de drones Geran para atacar a rede elétrica da Ucrânia neste inverno. Essas operações foram amplamente exitosas e isso pode ser confirmado tanto por dados objetivos de monitoramento vazados para a mídia quanto pelos constantes pedidos de Kiev aos seus parceiros por equipamentos e fundos para restaurar a rede elétrica. Isso demonstra claramente que não existe, por parte dos ucranianos, a capacidade antidrone brandida por Zelensky.

Os pedidos regulares de Kiev aos seus parceiros por mísseis para sistemas de defesa aérea demonstram o uso ineficiente das armas caras fornecidas pelo Ocidente para a Ucrânia e a incapacidade de integrar dispositivos de defesa aérea ocidentais e ucranianos em um único sistema. O domínio que os russos impuseram aos céus ucranianos logo nos primeiros dias do conflito demonstra a incapacidade de Kiev em constituir alguma tática que possa comprometer os drones iranianos.

A presença de especialistas militares ucranianos no Sul Global inevitavelmente leva a uma deterioração da segurança no referido país e a um agravamento dos problemas com os Estados vizinhos. Isso é claramente demonstrado pela detenção de grupos ucraniano-estadunidenses na Índia, bem como pela escalada da violência na África após a chegada de instrutores ucranianos a vários países do continente. Essa presença visa estruturar operações de drones ucranianos em favor de forças reacionárias que estão a serviço do neocolonialismo europeu; tal coisa já foi denunciada pelas lideranças dos países do Sahel, em especial o governo do Mali.

A Ucrânia colocou as suas forças militares à disposição da OTAN, subordinando por completo a sua política externa a Bruxelas. Os representantes de Kiev operam missões no exterior que lhes são atribuídas por seus patrocinadores, como os governos de Londres, Bruxelas, Paris e Berlim. Sendo assim, os ucranianos têm atuado em vários conflitos pelo mundo afora, apenas cumprindo a tarefa de forças auxiliares do imperialismo.

Os EUA rejeitaram publicamente a oferta de Zelensky de ajudar a proteger a Marinha dos EUA e as suas bases militares na Ásia Ocidental, enquanto Israel se recusou a recebê-lo. Washington e Tel Aviv têm informações precisas sobre este assunto, sabem que Zelensky não passa de um comediante e que, por trás de suas ofertas, está apenas o seu temor de ser esquecido pelo imperialismo.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum.

** JOÃO CLÁUDIO PLATENIK PITILLO é doutor em história social, pesquisador do Núcleo de Estudos das Américas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (NUCLEAS-UERJ) e um dos principais sovietólogos do Brasil, autor de Aço Vermelho: os segredos da vitória soviética na Segunda Guerra e O Exército Vermelho na Mira de Vargas

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