Se não saiu na Globo, aconteceu |
“Se não saiu no Jornal Nacional, não aconteceu”. A frase é atribuída a Antônio Carlos Magalhães, que conhecia como poucos o poder político da Rede Globo. Para milhões de brasileiros, o telejornal ajudava a determinar quais acontecimentos mereciam existir.
Leonel Brizola, adversário histórico da Globo, também ficou associado a outra frase: “Se a Globo for a favor, sou contra. Se for contra, sou a favor”.
Em campos políticos diferentes, os dois reconheciam o mesmo poder: transformar notícias em acontecimentos nacionais, ampliar ou reduzir personagens e definir a agenda do dia seguinte.
Na noite de 1º de outubro de 2026, esse poder encontrou um limite que talvez nenhum dos dois imaginasse.
A eleição acontece sem a Globo
Faltavam três dias para o primeiro turno. A Globo havia reservado seu horário nobre para o último debate presidencial.
Lula decidiu não comparecer e concedeu entrevista ao Flow Podcast. Flávio Bolsonaro, que havia confirmado presença, desistiu horas antes.
Decisões judiciais alteraram as condições do encontro. O TSE proibiu a manutenção de um púlpito vazio identificado com o nome de Lula e perguntas ao candidato ausente. Outra decisão assegurou a participação de Renan Santos.
A Globo alegou “insegurança jurídica” e cancelou o debate.
Lula não trocou o debate pelo silêncio. Trocou uma tela por outra.
Às 21h39, o contador do YouTube mostrava 1.582.594 espectadores acompanhando a entrevista. Às 22h49,........