Os quinze dias que podem mudar a eleição presidencial
Entre 10 e 25 de julho, a Convenção Nacional do PL decidirá a candidatura de Flávio Bolsonaro e quem herdará o capital político de Jair Bolsonaro nas eleições de 2026.
A homologação oficial será de Flávio como candidato à Presidência, enquanto Michelle Bolsonaro disputa o Senado pelo Distrito Federal como principal cabo eleitoral do enteado.
Controvérsias recentes – viagem aos EUA, críticas ao “tarifaço” de Trump, caso Daniel Vorcaro, declarações sobre o Pix e ruptura pública com Michelle – geram dúvidas sobre a capacidade de ampliar alianças além do eleitorado bolsonarista.
A reportagem de Andréa Jubé, publicada em 10 de julho no Valor Econômico, destaca que Valdemar Costa Neto já construía a base política de Michelle antes da escolha de Flávio como sucessor.
Entre esta sexta-feira, 10 de julho, e a Convenção Nacional do Partido Liberal (PL), marcada para 25 de julho, poderá ser tomada a decisão política mais importante das eleições presidenciais de 2026.
À primeira vista, trata-se apenas da convenção destinada a homologar a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto.
Na prática, a convenção decidirá muito mais do que uma candidatura: indicará quem herdará o capital político de Jair Bolsonaro e qual será a estratégia da direita para tentar impedir a reeleição de Lula.
O prazo legal para o registro das candidaturas termina em 15 de agosto. Mas o calendário político corre mais depressa. Depois da convenção dos partidos, marcada de 25 de julho a 5 de agosto, qualquer mudança deixará de ser uma simples negociação partidária para se transformar na substituição pública do candidato escolhido por Jair Bolsonaro. É essa contagem regressiva que dá novo significado aos acontecimentos das últimas semanas.
Isoladamente, a crise entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro poderia parecer apenas mais um conflito dos inúmeros conflitos que envolvem a família. Vai muito mais além. Observada em conjunto, pode representar o início de uma ampla reorganização da direita brasileira.
A sucessão deixou de ser um assunto de família
Durante meses, Jair Bolsonaro acreditou que bastaria indicar um dos filhos para preservar automaticamente o capital político construído ao longo de sua trajetória.
A escolha de Jair Bolsonaro recaiu sobre Flávio, o filho 01.
Michelle foi encaminhada para disputar uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal e exercer o papel de principal cabo eleitoral do enteado. A estratégia parecia encerrar qualquer disputa sucessória dentro do bolsonarismo.
A realidade seguiu outro caminho. Flávio não conseguiu unificar o campo conservador. O caso Daniel Vorcaro ampliou o desgaste de sua candidatura. Flávio passou a enfrentar resistências entre setores empresariais, dirigentes partidários e lideranças da direita liberal. A viagem aos Estados Unidos, as controvérsias envolvendo o tarifaço de Donald Trump, o desgaste provocado pelo caso Daniel Vorcaro, as declarações sobre o Pix e, por fim,........
