Classificar PCC e CV como terroristas é tentativa de interferência dos EUA nas eleições brasileiras

O governo dos Estados Unidos tentou classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

A medida foi apresentada como parte de uma suposta estratégia de interferência nas eleições brasileiras.

A iniciativa gerou críticas no Brasil, que a considerou uma ingerência externa nos processos eleitorais.

Não há data específica divulgada para a proposta de classificação.

O anúncio feito pelo governo de Donald Trump, no início da noite desta quinta-feira (28), de que vai classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas logo após a visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca é a primeira tentativa explícita, após o tarifaço, de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026.

Nas redes sociais, a extrema direita comemorou. O deputado federal Nikolas Ferreira disse que foi um “golaço”do pré-candidato à Presidência da República, enquanto Eduardo Bolsonaro agradeceu ao mandatário estadunidense, como fez, aliás, à época em que o Brasil e autoridades do país sofreram sanções econômicas. Há tempos este segmento político vende a ideia, dentro de sua retórica populista penal, que isso seria benéfico ao Brasil e à segurança pública. A lógica é relativamente simples: declarar criminosos como terroristas sugere maior rigor, ainda mais com a suposta “parceria”dos EUA. Mas a realidade é muito diferente.

Em entrevista à Globo News, o promotor de justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MP-SP) Lincoln Gakiya, que investiga o PCC há mais de 20 anos, explicou como a classificação da facção como terrorista não ajudaria a combatê-la.

“O discurso político se apropriou desse tema. Então, parte da população, influenciada por uma corrente política, acha que classificar essas facções como........

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