De Caracas a Teerã: Trump está operando a divisão do Sul Global |
Nesse início de segundo quarto de século, podemos ver com mais nitidez como a política externa americana está operando para dividir o seu maior obstáculo contemporâneo, que ameaça a continuidade da sua hegemonia no mundo – O Sul Global. Os acontecimentos na Venezuela e no Irã tem envolvimento direto dos EUA e aliados, e é muito importante que as forças progressistas e de esquerda tomem cuidado para não se tornarem um peão no jogo geopolítico maior, servindo de linha auxiliar dos interesses do império ocidental.
Após a derrota histórica da URSS e o fim do mundo bipolar, vimos a emergência de um poder global único liderado pelos EUA com a imponência inédita na história da humanidade de aproximadamente 800 bases militares em cerca de 80 países que lhe confere força para intervir em conflitos de interesse em qualquer lugar no mundo. O “privilégio exorbitante” do dólar que permite o controle da liquidez global, bem como a capacidade de investimentos e poder de sanções financeiras inigualável. E, ainda, possui liderança tecnológica capaz de controlar as principais Big Techs, a vigilância de dados em ampla escala, garantindo a mais eficiente produtividade e competitividade a longo prazo. Aqueles que julgam que o império norte americano está numa decadência terminal, estão como diz a juventude de hoje: “Emocionados!”
Mas é verdade que na virada do século, a ascensão extraordinária da China e as articulações que surgiram entre países do Sul Global para se defender das relações desfavoráveis com o império ocidental passaram a ser um motivo de preocupação para a elite norte americana que está muito bem informada e preparada para evitar a qualquer custo retrocessos em sua hegemonia. A crise econômica de 2008, o surgimento do BRICS, o desenvolvimento da Organização para Cooperação de Xangai (OCX), os avanços da nova rota da seda – belt and road – liderada pela China, o eixo da resistência liderado pelo Irã no oriente médio, a rebeldia anticolonial na região do Sahel na África e finalmente a derrota imposta à OTAN na Ucrânia, ligou o sinal de alerta no establishment norte americano para a necessidade de uma contra ofensiva – O Império contra ataca! A vitória eleitoral de Trump e dos republicanos que passaram a controlar a maioria do congresso americano foi uma resposta da fração burguesa majoritária que manda no mundo – Estão dispostos a esgarçar a normalidade da política interna nos Estados Unidos e a ordem internacional baseada em regras até arrebentar a corda se for preciso. Na visão do império, a soberania, solidariedade, cooperação e desenvolvimento do Sul Global é um problema de segurança nacional para os EUA.
A administração Trump 2.0 nem completou um ano ainda, e já lançou uma ampla guerra comercial tarifária contra todo o mundo, impôs a subserviente UE um ajuste no financiamento da OTAN e ameaça anexar a Groelândia por bem ou por mal. Em aliança com Israel intensificou o genocídio e o controle da faixa de Gaza, desmantelou o Hezbolah no Líbano, selou uma “perfumada” aliança........