O bolsonarismo à luz de Lifton
Estudos de Robert Jay Lifton (1961) mostram que grupos bolsonaristas no WhatsApp praticam “controle do meio”, circulando informação em circuito fechado e rotulando divergências como “fake news”.
O mesmo mecanismo de controle midiático e demonização da imprensa, adotado pelos apoiadores de Bolsonaro desde 2016, também se observa no trumpismo nos Estados Unidos.
Bolsonaro é descrito por seus seguidores como “messias” com missão divina de salvar o Brasil, enquanto Trump é retratado como escolhido por Deus para proteger a nação.
Duas semanas atrás, após criticar o Papa, a página oficial de Trump nas redes sociais divulgou imagem que o representa como Jesus Cristo.
Quando Robert Jay Lifton publicou Thought Reform and the Psychology of Totalism em 1961, descreveu oito critérios que caracterizam seitas e processos de reforma do pensamento. Mais de meio século depois, esses critérios ajudam a compreender fenômenos políticos contemporâneos que se organizam não como ideologias estruturadas, mas como comunidades de fé política. O bolsonarismo é um exemplo claro desse padrão.
“O controle do meio”, descrito por Lifton, aparece claramente deliberado nos grupos de WhatsApp bolsonaristas. Ali, a informação circula em circuito fechado: qualquer notícia divergente é rotulada de “fake news”, e o mundo exterior passa a ser visto como ameaça. O mesmo mecanismo sustenta o trumpismo nos Estados Unidos. Desde 2016 a imprensa é demonizada e foi substituída por canais próprios de propaganda. Essa filtragem informacional altera comportamentos concretos: famílias divididas, amizades rompidas, cidadãos que passam a desconfiar de qualquer........
