A rendição de Maduro e o silêncio dos canhões — Por Chico Cavalcante |
O que aconteceu na Venezuela nas primeiras horas de 3 de janeiro não foi um ato de guerra. Foi um espetáculo macabro, uma operação executada com precisão cirúrgica pelos Estados Unidos e, ao que tudo indica, com a conivência ativa de quem deveria impedir que ela acontecesse. Enquanto o mundo assistia pasmo ao sequestro relâmpago de Nicolás Maduro, uma pergunta ecoava, mais incômoda do que qualquer análise geopolítica: por que os canhões bolivarianos permaneceram em silêncio?
A narrativa oficial estadunidense, é óbvia, veio pintada com as cores de sempre: narcotráfico, ditadura, restauração da democracia. É uma farsa cínica, que não resiste a cinco minutos de exame.
Pode-se duvidar do consumo abundante de cocaína dentro da Casa Branca, mas não há dúvida de que a DEA – Drug Enforcement Administration, órgão federal norte-americano supostamente encarregado do combate e do controle do tráfico de drogas, sabe que mais de 80% da droga consumida por milhões de estadunidenses vêm pelo Pacífico e não pelo Caribe.
A agressão à Venezuela, portanto, não é uma operação da DEA, mas da CIA e do Departamento de Estado, constituindo-se na ponta de lança de um projeto muito mais amplo e desesperado: a tentativa de recolonização da América Latina para frear sua hemorragia de poder global e controlar, via petróleo, a matemática comercial lastreada no dólar. O verdadeiro “crime” de Caracas foi ousar existir fora da órbita de Washington, aprofundar laços com a........