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Última entrevista de Maduro horas antes de ser sequestrado pelo governo Trump

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03.01.2026

Estes são alguns trechos da última entrevista concedida pelo presidente da Venezuela Nicolás Maduro. Foi concedida ao jornalista Ignacio Ramonet no dia 31 de dezembro, num passeio automobilístico por Caracas num carro dirigido pelo próprio Maduro (ele trabalhou desde jovem como motorista de ônibus na Venezuela). Foi publicada na TeleSur, onde pode ser lida na  íntegra.

Presidente Nicolás Maduro — Claro, o fluxo do petróleo distorceu tudo. Nós não escolhemos ter um modelo rentista dependente do petróleo, não fomos nós que escolhemos. Quando nasci, em 1962, já haviam imposto o modelo de capitalismo rentista dependente do petróleo, e éramos uma colônia petrolífera dos Estados Unidos. O que escolhemos foi começar a construir as bases para romper com o rentismo petroleiro, para construir nosso modelo. E o Comandante Chávez deixou as diretrizes no Plano da Pátria, e nós provamos, no pior momento, no bloqueio que nos impuseram, que nos tiraram 99% das receitas petrolíferas, que não havia, não se produzia nada na Venezuela, não podíamos mais importar nada, dissemos: vamos seguir em frente, vamos crescer nesta conjuntura. Foi isso que aconteceu. A Venezuela cresceu, do ponto de vista espiritual, do ponto de vista doutrinário da política econômica, elaboramos uma política absolutamente correta, de uma economia real, com valores reais, que se articulou em uma nova força produtiva. E o que cresce? No ano passado, tivemos um crescimento de 9%, e este ano será mais ou menos 9%, talvez mais. O que cresce? Cresce a economia real, cresce a economia que produz bens, serviços, que produz riqueza em uma fase avançada, que realmente impressiona. Temos elementos muito importantes.

Ramonet — Olha, presidente, quero falar de outra coisa que não se fala muito. É a originalidade do modelo político venezuelano. Neste ano de 2025, você em particular, não é que seja novo, mas você estimulou muito este ano o Estado Comunal, não é? E, nesse contexto, por que decidiu aprofundar a autogestão popular em vez de centralizar o controle, em um momento de tantas ameaças contra a Venezuela? A comuna é a resposta política bolivariana ao modelo de democracia liberal promovido pelo Ocidente? Há um modelo específico de democracia venezuelana em que está pensando?

Maduro — … a democracia ocidental, a democracia clássica que chamam de liberal, entrou em um esgotamento terminal, já não representa os povos, são democracias sem povo, são democracias manipuladas, manipuláveis, são democracias para minorias e, cada vez mais, são democracias que funcionam a partir dos multimilionários, dos grandes consórcios; são democracias submetidas à manipulação das redes sociais, à manipulação emocional das redes sociais. Então, a comunidade, o cidadão, não tem poder nessas democracias. Fundamentalmente. Isso não quer dizer que não haja experiências positivas no que chamam de democracia ocidental. Claro que há.

Assim, desde o início, em nosso projeto original, inspirado em Bolívar e Simón Rodríguez, em Ezequiel Zamora, n’O Livro Azul, o comandante Chávez propõe refazer a democracia por meio de um processo popular constituinte. E refazer a fórmula da democracia para construir uma democracia cotidiana. Uma democracia permanente. Uma democracia com o povo. Onde todo o poder é dado ao povo. E o que é o poder? Em primeiro lugar, o poder é política. Decidir. Decidir as políticas públicas. Em segundo lugar, o poder econômico. Decidir os orçamentos. Decidir os orçamentos da nação. E o poder da cultura, o poder da educação. Então, é isso que estamos construindo. O Comandante Chávez fundou os conselhos comunais, fundou o conselho das comunas. E você pode se lembrar como ele me encarregou disso, mas ele encarregou todos nós. Ele me disse, Nicolás, segurando meu ombro, eu te encarreguei das comunas como eu te encarregaria da minha vida.

Quando ele disse isso, senti aqui no ombro, ao lado dele, o peso dos séculos. Mas, felizmente, nosso povo assumiu esse peso e agora ele não me pesa mais. Olha, meus ombros estão livres, porque nosso povo agora está exercendo a democracia direta.

Este ano tivemos quatro consultas nacionais. Ah, claro, para a AP, EFE, CNN, UPI, AFP, para os meios de comunicação ocidentais não existe democracia direta. Para eles, o que existe é o ataque permanente contra a Venezuela bolivariana. Mas aqui eu desafio quem quiser debater, quem quiser, seja qual for o nome, o cargo que ocupe, eu o desafio a debater em qualquer bairro de Caracas que quiser com nosso povo, não comigo, que debata com o povo, para que veja como está sendo construída uma nova democracia.

Não pretendemos ser modelo para ninguém,........

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