As presidenciais e a nostalgia de 1986
Tinham passado pouco mais de uma década desde o 25 de abril de 1974, menos de quatro anos desde a revisão constitucional de 1982 e poucos meses desde a assinatura, em junho de 1985, da adesão à CEE quando, no início de 1986, aconteceram as eleições presidenciais destinadas a escolher o sucessor de Ramalho Eanes. Quarenta anos depois, o país está a dias de repetir o gesto. Por simples efeméride ou talvez por algo que requer psicanálise coletiva, têm-se sucedido evocações históricas das presidenciais de 1986 - e todas com um inequívoco sabor saudosista e nostálgico, como uma celebração de um passado que se compraz com a crítica, justa, do presente.
Um podcast do Observador titulou 1986 como «A eleição mais louca de sempre»; e a RTP lançou a minissérie «A Duas Voltas. Mário Soares e as presidenciais de 86». O consenso entre os diferentes entrevistados não deixa dúvidas: os candidatos, as ideias, os debates e as campanhas eram então........
