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Brigitte Bardot e o paradoxo da empatia

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02.01.2026

Durante décadas, Brigitte Bardot foi uma das figuras mais influentes na defesa internacional dos direitos dos animais. Num tempo em que a causa animal era amplamente marginalizada, ridicularizada ou vista como excentricidade, Bardot utilizou a sua notoriedade pública para denunciar práticas de crueldade institucionalizada, combater o comércio de peles, a caça às focas e apoiar legislação de proteção animal. A criação da Fondation Brigitte Bardot, em 1986, marcou um ponto de viragem no ativismo animal contemporâneo.

Este legado é real, documentado e historicamente relevante. Negá-lo seria intelectualmente desonesto.

Mas é precisamente por isso que merece ser pensado com rigor.

Ao longo das últimas duas décadas, Bardot acumulou condenações judiciais em França por declarações consideradas incitamento ao ódio racial e religioso, dirigidas sobretudo a muçulmanos e imigrantes. Em livros e entrevistas públicas, produziu afirmações amplamente criticadas como islamofóbicas, xenófobas, homofóbicas e misóginas, chegando a classificar o movimento #MeToo como “ridículo” e a utilizar linguagem desumanizante........

© PÚBLICO