O deslocamento cultural e a reconstrução do laço social na experiência migratória
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A migração pode ser compreendida não apenas como experiência de perda ou desenraizamento, mas como um projeto subjetivo possível, quando sustentado por uma escolha plausível, interessada e simbolicamente elaborável. Um projeto migratório bem-sucedido não se define pela ausência de conflitos, mas pela capacidade do sujeito de reconhecer as perdas implicadas, negociar suas identificações e se implicar ativamente na construção de novos laços.
Quando esse movimento se apoia em alguma forma de reconhecimento mútuo — entre aquele que chega e a cultura que o recebe —, o deslocamento deixa de ser vivido apenas como ruptura e passa a operar como intercâmbio cultural vivo. Escolher partir pode, assim, tornar-se uma forma de reinvenção subjetiva, na qual o sujeito não apenas se adapta ao novo contexto, mas se inscreve nele de maneira singular e mais autoral diante da própria história.
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A experiência migratória costuma ser acompanhada por sentimentos de estranhamento, perda de referências e dificuldade de pertencimento. Do ponto de vista psicanalítico, esses efeitos não........
