A língua é de quem habita
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Nas redes sociais, o post de um português me surpreendeu. De forma empática, ele adotou três expressões brasileiras no seu vocabulário: "pegar a visão", "fingir demência" e "caraca". Num primeiro momento, parece uma simples curiosidade linguística — a observação bem-humorada de alguém que se surpreende com o próprio idioma. Na minha opinião, revela uma significativa transformação cultural do espaço lusófono contemporâneo.
Quem a promove é o criador do perfil O Diário de um Wu (@pra.humanoser), português que partilha as suas reflexões nas redes sociais com espontaneidade. Nenhuma dessas expressões foi imposta por decreto, resulta de política pública ou foi ensinada em sala de aula. Chegaram pela convivência, pela internet, amizades, conversas com colegas de trabalho, nos casamentos, filmes e milhares de vídeos que circulam pelas redes. Chegaram porque a língua, quando viva, não tem medo de fronteiras — atravessa-as para continuar a expandir-se do outro lado.
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Imaginamos a língua........
