Estado calamitoso

Muito se tem falado e escrito sobre a demora e inépcia na resposta do Governo aos efeitos das tempestades que têm varrido o país nas últimas semanas. Quase ausente do debate está a incapacidade das instituições da Administração Pública em prevenir e reagir de forma coordenada a este tipo de eventos.

Seria de esperar que a resposta a emergências meteorológicas (e outras) operasse de forma automática, de acordo com protocolos pré-estabelecidos especificando quem faz o quê, com que meios e de que forma. O Governo “apenas” teria de acompanhar a boa execução das tarefas pré-determinadas, cobrir erros e falhas que sempre ocorrem, libertar as verbas necessárias e manter o país informado, de forma rigorosa e quantificada, sobre as ações em curso e o calendário para a sua conclusão.

Ano após ano verificamos que nada disto se passa. Seja um incêndio florestal, uma cheia, a queda de uma arriba, um acidente num equipamento de transporte, a primeira reação do Governo (o atual ou qualquer outro) é assinalar a imprevisibilidade e absoluta excecionalidade do ocorrido. Depois improvisa-se uma resposta, prometem-se “mundos e fundos” (ficou famosa a expressão sobre o Parque Natural da Serra da Estrela que iria “ficar melhor do que estava” após os incêndios de 2022), nomeia-se uma Comissão Independente para tirar as necessárias lições, que nunca são aprendidas.

Já devíamos ter percebido que nada de........

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