A desorientação socialista

O Partido Socialista perdeu o norte. A semana que passou ofereceu uma síntese tão perfeita da sua confusão que seria desperdício não a registar.

O PS propôs alargar o Conselho Superior de Defesa de dois para três deputados eleitos pelo Parlamento, justificando a medida com a necessidade de "traduzir essa nova realidade" de fragmentação partidária: três grandes partidos, representação proporcional, nova geometria.

Curioso. Muito curioso. Porque, durante meses, desde o início desta legislatura, o impasse nas eleições para os órgãos externos da Assembleia da República foi-se arrastando, num conflito político sobre quem controla a escolha de cargos-chave nas instituições independentes do Estado, depois de o Chega se ter tornado o segundo maior partido com representação parlamentar. O PS rejeitou que o Chega pudesse integrar, por exemplo, o Tribunal Constitucional ou participar em listas conjuntas para o Conselho de Estado. O drama. O escândalo moral. A intransigência de princípio.

O desfecho foi uma trapalhada com certidão. O PS ajudou aos sucessivos adiamentos da entrega de candidaturas, num processo adiado por seis vezes. Qual foi o resultado prático deste pseudo-heroísmo? Duas listas........

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