We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close
Aa Aa Aa
- A +

E pur si mente…

3 2 52
23.09.2021

Um ano e meio após a detecção do primeiro surto de covid-19 em Portugal, um responsável da DGS afirmou estarmos agora “no fim de uma fase pandémica” e o primeiro-ministro tem propagandeado o “controlo” da pandemia. Decorreu apenas um ano e meio desde Março de 2020, mas parece ter passado muito mais tempo. É tentador fazer uma espécie de balanço sobre esse tempo de loucura (médica, mediática e política), de que deixo aqui hoje apenas uma pequena reflexão. O meu ponto de vista é essencialmente médico, mas é inseparável dos outros dois.

Na verdade, graças sobretudo à insistência dos media, a Medicina entrou nas ruas, nas conversas, nas casas, nas mentes, e bem vejo que há agora em Portugal vários milhões de “médicos”, a maioria deles muitíssimo mais seguros e afirmativos do que os verdadeiros, prontos a dar opinião e a discutir vírus, sintomas, máscaras, tratamentos, vacinas ou doses. Sim, a loucura revelou-se sobre diversas formas, desde logo no meio médico, mas espalhou-se e contagiou toda a gente, de uma forma que se diria “exponencial”, generalizando-se a proclamação de afirmações infundadas em nome da Ciência.

É por aí que vou, pela Ciência – essa palavra tão usada e tão abusada neste ano e meio, pretexto para clickbaites e para a imposição de políticas públicas. A Ciência não é um bloco imutável de Leis divinas ou eternas; a Ciência é inovação, é mudança, é questionamento, é polémica, é incerteza. Basta relembrar Galileu ou Einstein, os dois exemplos mais óbvios de ciência que contrariava as teses científicas oficiais das respectivas épocas. É por isso hoje muito perturbador que qualquer questão, dúvida ou........

© PÚBLICO


Get it on Google Play